segunda-feira, 15 de novembro de 2021

[Blast from the Past] "Sexta-Feira 13 Parte VI: Jason Vive" (1986)


"Sexta-Feira 13 Parte VI: Jason Vive" (1986)

Título original: "Friday the 13th Part VI: Jason Lives" 
Gênero/Subgênero: terror/slasher
Dirigido por: Tom McLoughlin
Elenco parcial: Thom Mathews, Jennifer Cooke, David Kagen e C.J. Graham
País de origem: Estados Unidos
Duração aproximada: 87 minutos
Produtora/Distribuidora: Paramount Pictures

"Kill or be killed!"

"Nothing this evil ever dies."

"Evil Lives Forever."

"Evil always rises again."

"The Nightmare Returns. This Summer."

"If you think it's hard to keep a good man down...Try keeping down a BAD one."

Sejamos francos, é simplesmente incrível como existem anos e décadas tão antológicos e influentes. Um dos exemplos mais contundentes e clichês que comprova essa afirmação é a década de 80, que desde o seu início sempre emanou o mais delicioso frescor de saudosas pérolas no que diz respeito ao entretenimento e cultura em geral. Tecer elogios a esses anos tão cintilantes definitivamente é chover no molhado, especialmente quando nos referimos a um ano tão frutífero como 1986, período este que foi extremamente marcante para o cinema de gênero fantástico e nos presenteou com legítimas obras-primas, tais como a magnífica reimaginação de David Cronenberg, "A Mosca" e a igualmente brilhante sci-fi de ação "Aliens: O Resgate".

Mergulhando de cabeça no terror/horror e trash, o cardápio também foi muito bem servido, à exemplo de títulos saborosos, como a clássica e deliciosamente nojenta adaptação de H.P. Lovecraft (1890—1937) "Do Além", o divertidíssimo "Criaturas", o thriller sinistro "A Morte Pede Carona", as pérolas "A Noite dos Arrepios", "Vamp: A Noite dos Vampiros", "Heavy Metal do Horror", além de trasheiras obrigatórias, como "O Monstro do Armário", "A Maldição de Samantha", "Troll: O Mundo do Espanto", "A Casa do Espanto", "A Visão do Terror" e "O Massacre da Serra Elétrica 2". Em poucas palavras, o cinema fantástico estava com a corda toda!


Aproveitando o embalo das matérias anteriores que publiquei no blog e principalmente o simples fato de termos sido agraciados na semana passada com uma sexta-feira... 12, não 13 — mas vale pelo meme e fanfarronice intencional — decidi revisitar aquele que é não apenas meu longa preferido da franquia "Sexta-Feira 13", como também um dos slashers mais divertidos de seu tempo. E claro, falo de "Sexta-Feira 13 Parte VI: Jason Vive", o icônico e divertidíssimo sexto episódio da longeva saga do indestrutível serial killer Jason Voorhees. Nunca vou me esquecer da primeira vez em que vi esse belíssimo VHS na locadora de vídeo do bairro e quando finalmente tive a oportunidade de alugar e assistir a fita, foi amor à primeira vista. 

Embora "Sexta-Feira 13 Parte VIII: Jason Ataca em Nova York" (1989) tenha sido a primeira entrada da série que assisti na íntegra, também em VHS, "Parte VI" se tornou meu predileto sem grande esforço. Neste ano, a produção completa 35 primaveras e nada mais justo que celebrar este aniversário com um textão fanfarrônico que disseca até a mais obscura das entranhas, não é mesmo? Pois peguem suas máscaras de hóquei, reúnam os seus amigos, não se esqueçam de separar suas pás, pés-de-cabra e galões de gasolina — só por garantia —, pois agora vamos literalmente desenterrar um dos maiores monstros que já habitou por esse pequenino e corroído planetinha azul.



O sexto capítulo se inicia da melhor maneira possível, com o jovem Tommy Jarvis (Thom Mathews), ainda traumatizado pelos acontecimentos dos dois longas anteriores, e seu amigo Allen Hawes (Ron Palillo) indo a um cemitério para desenterrar e destruir o corpo do maníaco homicida Jason Voorhees (C.J. Graham). Como já é de praxe numa produção com essa premissa intencionalmente exagerada, os planos vão literalmente por água abaixo quando um raio desperta o cruel assassino, que rapidamente elimina Hawes arrancando seu coração com uma das mãos, em uma das mortes mais grotescas e sensacionais de toda série. Jarvis, por sua vez, consegue escapar e decide avisar a todos sobre um novo massacre eminente, em especial o xerife local Garris (David Kagen), ao mesmo tempo em que o vilão trucida tudo e todos pelos arredores de Crystal Lake — ou melhor, Forest Green, visto que alteraram o nome da região para se esqueceram dos horrores cometidos por Jason durante anos.

Um ano após o lançamento de "Sexta-Feira 13 Parte V: Um Novo Começo" (1985), uma sequência que foi um fiasco tanto de público como crítica, que apenas encontrou mais uma razão arbitrária para descer a lenha gratuitamente na franquia, a Paramount Pictures recrutou o californiano Tom McLoughlin — que já havia comandado o terror "Numa Noite Escura" (1982) e alguns anos mais tarde também dirigiria a ótima adaptação para TV do conto de Stephen King "Às Vezes Eles Voltam" (1991) — para ser responsável tanto pelo roteiro como direção. Graças a dicotomia de suas obras, Loughlin chamou a atenção de um dos produtores mais engajados na franquia, Frank Mancuso Jr. O cineasta teve a árdua missão de recuperar o fôlego da saga e claro, ressuscitar de alguma forma o antagonista tão querido pelos fãs: Jason. 















Sim, para aqueles que desconhecem esse fato, em "Sexta-Feira 13: Capítulo Final" (1984), o incansável e vingativo mascarado é abatido e aparentemente dado como morto de uma vez por todas. Em contrapartida, no filme seguinte, temos um plot twist controverso na qual descobrimos que o assassino da vez não era Voorhees, provocando a inevitável revolta de uma legião de fãs que aguardavam pelo retorno do legítimo símbolo da cinessérie.

Sempre digo que este é o clássico exemplo da sequência que, miraculosamente, acerta em todos os pontos e um feito desses, à essa altura do campeonato e ainda mais numa franquia tão criticada por muitos e que claramente já apresentava notórios sinais de desgaste, é uma típica exceção. O cineasta McLoughlin declarou em entrevistas que, ao ser escalado para escrever o roteiro e dirigir o projeto, teve que assistir a todos os longas anteriores e acrescenta que, pelo fato de já se tratar do sexto episódio, não achava que a produção deveria se levar a sério demais e honestamente? Ele não poderia estar mais certo.

"Jason Vive" funciona justamente graças ao seu compilado de elementos cruciais, uma receita composta por ingredientes tão apetitosos e sagazes quanto vitais, que incluem o seu humor e condução autoconscientes e que jamais se levam a sério — algo que, 10 anos mais tarde influenciaria diretamente o roteirista Kevin Williamson a conceber a obra-prima slasher noventista "Pânico" (1996), roteiro e ritmo dinâmicos, que incluem elementos de comédia e ação, como até mesmo tiroteios e perseguições de carro, quebras na quarta parede, personagens secundários que, talvez pela primeira vez em toda franquia, tiveram um maior tempo de desenvolvimento e cuidado, argumentos marcantes e, em diversos momentos, hilariantes, cuja edição apenas amplia o feedback do espectador, além de tributos e referências não apenas a série em si, como ao terror de uma forma geral e a cultura pop e até mesmo literatura. 




A abertura dessa sexta entrada é simplesmente a minha predileta não somente da franquia, como uma das minhas preferidas de todos os tempos dentro do terror, justamente por prender o espectador na pontinha da poltrona com seu climão à lá filmes antigos da Universal Pictures dos anos 30 e 40, em particular "Frankenstein" (1931), uma notória influência para McLoughlin e que, diga-se de passagem, desde que era criança captei muito bem, visto que sempre fui um admirador do sobrenatural, principalmente cinema de gênero. 

Há, inclusive, um outro trecho onde temos outro tributo ainda mais óbvio para a histórica obra-prima literária de Mary Shelley (1797—1797), quando o personagem de Tommy menciona o nome de um local chamado Karloff, uma clara referência ao eterno intérprete original do monstro de Frankenstein, Boris Karloff (1887—1969). Como se não bastasse a introdução atmosférica e completamente instigante, além da ressurreição de Jason do túmulo, arquitetada de uma forma que deixaria Shelley orgulhosa, ainda temos uma paródia/referência/homenagem de arrepiar e aplaudir de pé simultaneamente e no parágrafo seguinte detalharei mais à respeito.

A sequência em que estão é aquela onde o nome da sequência é anunciado. Jason veste a máscara e as luvas que estão perto de si, pega a grade do cemitério em forma de lança e vira de frente para a câmera de um jeito intimidador, quebrando a quarta parede com imponência e, no fundo de um de seus olhos, vemos a sua própria figura caminhar lentamente, virar de frente repentinamente e então, desferir um golpe com seu machete. A mancha de sangue dá lugar ao título do filme, rendendo assim uma das aberturas mais originais não apenas da saga, como do gênero. Pra quem não entendeu a referência, é uma sátira/tributo às aberturas dos filmes da saga "007", com Jason imitando o agente secreto James Bond. Basta assistir essa abertura para captar que esta sequência tem um estilo único, singular e "for fun".




Não pretendo me estender muito em tantos tributos e referências, entretanto é muito intrigante saber que, durante suas gravações, os longas de "Sexta-Feira 13" costumavam ter seus roteiros distribuídos entre o elenco e envolvidos apenas utilizando nomes fictícios, uma estratégia divertida e que sempre gerava especulações. Dito isso, o título fictício adotado para essa continuação foi "Aladdin Sane", outra clara referência novamente a cultura pop, dessa vez ao clássico disco homônimo do eterno "camaleão do rock", meu xará David Bowie (1947—2016). McLoughlin é um entusiasta declarado de Bowie e jamais fez questão de camuflar isso. Além dessa excepcional homenagem, a capa do vinil de "Aladdin Sane" (1973) pode ser observada no canto direito da tela, em uma cena onde duas monitoras de acampamento interagem uma com a outra.

E falando em personagens, "Jason Vive", tal como mencionei anteriormente, constrói e desenvolve muitissímo bem os seus. Desde os novos monitores de acampamento a aqueles personagens com menor tempo dela, todos possuem o mínimo de caracterização, camadas e linhas de diálogo louváveis. Falando sobre caracterização em si, é impossível não mencionarmos a considerável evolução e transição do personagem de Tommy Jarvis. A abordagem do "mocinho", agora interpretado por Thom Mathews, é mais carismática, bem-humorada e perspicaz, remetendo mais ao Tommy de "Sexta-Feira 13: Capítulo Final" (1984), vivido por Corey Feldman e se afastando completamente da performance contida e minimalista do ator antecessor, John Shepherd, que encarnou o protagonista no quinto longa. Por sinal, Mathews e Feldman são, em minha humilde opinião, os melhores intérpretes de Tommy na franquia. 



Falando sobre o nosso querido antagonista da máscara de hóquei, é de suma importância destacar também que é à partir dessa entrada que Jason passa a ser oficialmente retratado como um morto-vivo. Ao contrário do que muitos fãs mais recentes e marinheiros de primeira viagem devem imaginar, nem sempre foi esse monólito decrépito e que jamais corre, apenas caminha lentamente atrás de suas vítimas. 

Nos capítulos 2 ao 4, mr. Voorhees já possuía alguns elementos sutilmente sobrenaturais à lá seu "pai" Michael Myers ("Halloween"), como resistir a mutilações gravíssimas e o principal, inexplicavelmente não morrer a golpes que muito provavelmente poderiam matar um ser humano "comum" ou ao menos provocar lesões irreversíveis. 

Todavia, o começo "oficial" dessa abordagem mais espalhafatosa definitivamente se deu no sexto longa, embora o quarto filme já tivesse nos apresentado uma versão igualmente bizarra e putrefata, indicando aquilo que provavelmente seria o destino do personagem e da saga. E assim foi!

A brutalmente exagerada e saga do "Zombie Jason" perdurou durante um tempo considerável no cinema, sendo apenas interrompida após o lançamento do reboot "Sexta-Feira 13" (2009). Por outro lado, nos quadrinhos, games, fan films e outras mídias, a conversa é bem diferente.

Além de Tommy e Jason, outros personagens que se destacam na trama são o xerife Garris (David Kagen), que passa a crer veementemente que Tommy é o responsável pelo assassinatos, sua filha Megan (Jennifer Cooke), uma das novas monitoras de acampamento, o auxiliar do xerife, o delegado Rick Cologne (Vincent Guastaferro), além dos demais instrutores, que possuem ótimas cenas, diálogos e são bem diferentes entre si. Agora, depois de tantas sequências, finalmente temos uma adição pra lá de curiosa e muito bem inserida: as crianças, cuja inclusão em meio ao cenário de mortes violentas e pavor inquietante é um elemento inédito até então e caiu como uma luva. 

O flerte entre a inocência a perversão é realmente de arrepiar, uma vez que a presença do brutamontes soturno está sempre à espreita e literalmente tudo pode ocorrer. Uma personagem em especial que se destaca facilmente entre as crianças é Nancy (Courtney Vickery), uma garotinha que morre de medo de Jason e possui cenas de interação com o antagonista pra lá de memoráveis. E claro, seu nome é outra referência bastante óbvia, neste caso à heroína da franquia "rival", "A Hora do Pesadelo", Nancy Thompson.


Esse exemplar da cinessérie também é o que melhor poderia se encaixar com uma censura PG-13, uma faixa etária para jovens adolescentes, graças à sua condução mais "family friendly", por assim dizer. Pra se ter uma ideia, há somente uma única cena de sexo, algo muito raro de ocorrer em um episódio da franquia e sequer temos qualquer nudez ou algo explícito. Na verdade, trata-se de um dos momentos mais cômicos do longa e que inclusive comprova novamente o tom completamente descompromissado e deliciosamente sarcástico do projeto. 

Ou seja, outra abordagem que distancia completamente da sequência antecessora, que é extremamente apelativa e repleta de nudez e sexo, até mesmo para os padrões da saga. Não quero proferir nenhuma heresia ou bobagem, mas sempre considerei este capitulo um trabalho que se assemelha muito mais com o que o cineasta Steven Spielberg realiza quando se envolve com terror e suspense, vide "Tubarão" (1975) e "Poltergeist: O Fenômeno" (1982) do que o restante dos filmes da franquia ou até mesmo do subgênero slasher em si.




O aspecto técnico e visual da produção também são exuberantes e quiçá um dos mais bonitos de toda saga. Dá pra perceber que houve um empenho bem acima da média nesta sequência, algo que certamente contribuiu para que não apenas os fãs apreciassem, como até mesmo espectadores que não eram lá muito favoráveis com esses filmes, ainda mais a franquia "Sexta-Feira 13", que é um dos inimigos públicos número um até os dias atuais do público mais conservador e que discrimina filmes de extrema violência e assassinatos por mera ignorância e desconhecimento.

A trilha sonora de Harry Manfredini permanece hipnótica e impecável como sempre, se destacando facilmente dentre a maioria de seus trabalhos. Assim como em cada longa em que é designado para compor, o musicista sabe muito bem como encaixar cada tema em seu devido lugar e o que não falta nesta sequência são temas instrumentais memoráveis, desde os mais sinistros e ameaçadores aos mais brandos e engraçados, como na cena de paintball, que inclusive ganhou uma certa notoriedade entre os fãs por trazer a presença de um intérprete de Jason ligeiramente acima do peso, interpretado por Dan Bradley. 



Inclusive, essa foi uma das primeiras cenas do longa a ser filmada e mediante o fato de Bradley estar um pouco obeso durante a ocasião, o dublê foi substituído permanentemente na sequência por C.J. Graham, que também nos apresenta um desempenho amedrontador de Jason, diga-se de passagem. À título de curiosidade, o Jason na cena de abertura é interpretado por Christopher Swift, que por algum motivo não foi creditado na produção.

Aliás, ainda dentro do espectro de trilha sonora, é impossível não mencionarmos a presença da lenda estadunidense do shock rock, Alice Cooper, cujas canções estão presentes durante todo o longa e garantem uma diversão muito prazerosa. Diga-se de passagem, ainda temos o antológico single/videoclipe "He's Back (The Man Behind the Mask)", composição que também integra o álbum "Constrictor", da "titia" Alice, concebido no mesmo ano de lançamento do filme. Por sinal, a faixa "Teenage Frankenstein", responsável por abrir o álbum, também aparece no filme, na violentamente hilária cena do motorhome.




Infelizmente, nem tudo são flores e se por ventura esta sequência foi recebida calorosamente pela maioria, em contrapartida, a censura não foi tão benevolente assim. Assim como em quase todas as entradas da saga, boa parte de suas cenas de assassinatos foram, evidentemente, mutiladas por um dos maiores adversários da franquia, o MPAA (Motion Picture Association of America). Aos interessados, disponibilizarei abaixo, inclusive, os trechos vetados pelo órgão (sem legendas). Para quem desconhece tais cortes, são os mesmos assassinatos, porém em versões mais gráficas e estendidas que, nos dias atuais, jamais seriam eliminadas, uma vez que a censura se tornou muito mais tolerável ao gore e violência em geral. De toda forma, são mortes muito caprichadas e burlescas e suas versões originais são ainda mais intrigantes, em particular a cena de Jason arrancando um coração e a tripla decapitação de outra.




Também existem dois finais alternativos idealizados para "Jason Vive", ainda que ambos jamais tenham sido filmados. Um deles pelo menos chegou a ter um storyboard produzido e disponibilizado no conteúdo extra de edições internacionais do DVD e blu-ray. Novamente, para aqueles que desconhecem, disponibilizarei abaixo um link para assistirem (também sem legendas). Neste final, temos a participação de um personagem que até então jamais havia sido apresentado ou sequer mencionado: Elias Voorhees, o pai de Jason. 


Particularmente, sempre achei esse conceito muito mais chocante e válido do que o final típico, padrão e "correto" demais do adotado na versão final. Agora, por outro lado, existem fan films que não apenas dão continuidade à essa sequência, como o fenonenal "Never Hike Alone" (2017) e suas continuações ou ainda "Friday the 13th: Vengeance" (2019), que inclusive aproveita o final descartado do sexto longo como abertura. Ambas as produções também resgatam atores e membros da equipe e produção do filme original, além de possuírem tributos e easter eggs bem encaixados e que indubitavelmente chamarão a atenção dos mais aficionados.

Embora seu retorno tenha sido mediano nas bilheterias, "Sexta-Feira 13 Parte VI: Jason Vive" teve uma recepção muito positiva de uma forma geral e conforme mencionei anteriormente, até mesmo fora do circuito do terror. Finalmente enxergaram um padrão de qualidade e um potencial diferenciados neste exemplar em específico. Evidentemente, esta entrada deixou uma ponta completamente escancarada para uma nova sequência, que seria lançada dois anos mais tarde. Todavia, embora seja igualmente divertida, não mantém a mesma qualidade deste aqui, especialmente em sua premissa e roteiro pra lá de absurdos, mas... isto é um assunto para outro dia. 



Pra finalizar com uma sangrenta chave de... ou melhor, uma sanguinolenta machetada de ouro, "Sexta-Feira 13 Parte VI: Jason Vive" é um passatempo muito divertido e, disparado, o longa mais consciente da franquia e é justamente este o seu trunfo: jamais se levar a sério e fazer com o que o espectador tenha plena noção disso e abrace o espetáculo de sanguinolência, sustos, zoeira e fanfarronice sem limites. 35 anos depois e esta sequência continua sendo o filme definitivo de Jason e creio severamente que sempre o será predileto de quem voz escreve. 

Veja bem: se você não é familiarizado com o subgênero slasher e espera algo extraordinário, não vá com muita sede ao pote, ok? Não espere algo do nível de "O Massacre da Serra Elétrica" (1974), "Halloween: A Noite do Terror" (1978), "A Hora do Pesadelo" (1984) ou até mesmo um dos longas que teve inspiração em sua abordagem, o já citado "Pânico". Tendo em mente a época de seu lançamento, sua premissa e principalmente de qual franquia e antagonista estamos nos falando já dá pra ter uma boa noção do que temos em mãos. Ainda assim, é uma fita completamente divertida e eficiente, posso garantir e, quem diria! É também um grande exemplo de sequência capaz de realmente bater de frente com o longa-metragem original de 1980. Uma excelente pedida para uma noite regada a quitutes como um balde de pipocas ou uma bela pizza, cervejas geladas, amigos, namoradx e quem mais se interessar.


Extra:
Também disponibilizo abaixo o videoclipe de "He's Back (The Man Behind the Mask)" (Alice Cooper):




Saldo Fanfarrônico final:


Fanfástico (4 estrelas de 5) 

Redigido por David "Fanfarrão" Torres

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